DATA: 13/01/2010


Seguradoras têm maior demanda por danos provenientes de inundação

Seguradoras têm maior demanda por danos provenientes de inundação

Ter, 12 de Janeiro de 2010 14:08 O Diário de Mogi - MARA FLÔRES Seguros

Os proprietários de veículos que ficaram no meio das inundações registradas no Centro e em vários bairros da Cidade no temporal da última quinta-feira podem se tranquilizar pelo menos em um ponto: a cobertura deste tipo de dano é uma das cláusulas básicas nos seguros de carros.

Segundo profissionais da área, no que pese o transtorno de pagar a franquia e de ficar cerca de 10 dias sem condução - tempo médio para liberação da indenização -, as pessoas que foram surpreendidas pela chuva e viram seus carros boiar na água não deverão ter maiores problemas no ressarcimento do prejuízo que, na maioria dos casos, é total. Em março de 2005, quando a região central da Cidade registrou uma tromba d’água, as empresas de seguros empregaram mais de R$ 2 milhões na cobertura de danos. Desta vez, os gastos ainda não foram estimados, mas a demanda nas seguradoras aumentou consideravelmente desde quinta-feira.

"O cliente liga e só quer saber se a cobertura vale também para os casos de enchentes. Vale sim e é importante que o proprietário entre em contato com o seu corretor e com a sua seguradora. Da outra vez em que a Cidade enfrentou situação semelhante, as companhias de seguro deram uma cobertura muito eficiente e tem sido assim agora também", ressaltou o corretor Wilton José Nogueira, diretor regional do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de São Paulo.

A única exceção na cobertura de inundações, explicou ele, é quando o proprietário força o prejuízo. Ou seja, uma rua que está coberta de água, ninguém está passando e a pessoa insiste em entrar no local com o carro, que morre na metade do caminho, por exemplo. Esse tipo de situação não tem ressarcimento pelas seguradoras, que fazem uma investigação e, pelo tipo de dano verificado no veículo, apura em função do que ele ocorreu.

O fato de os carros estarem estacionados em locais onde há placas de sinalização que alertam para os riscos de inundações, como é caso das proximidades do Clube de Campo de Mogi das Cruzes, onde pelo menos 15 veículos boiaram na última quinta-feira, e também da Vila Hélio e Praça das Bandeiras, não interfere no pagamento das indenizações previstas nos contratos de seguros.

"Não é proibido estacionar nestes locais. Há apenas um aviso de que é uma área sujeita à inundação, mas não há como saber se isso vai acontecer e quando", argumentou Nogueira.

O corretor esclareceu que cada caso é um caso e as indenizações - parcial ou integral - devem ser avaliadas pelas companhias de seguro, mas geralmente se água atinge a altura do painel do veículo e compromete a parte elétrica, é considerada a perda total do carro. "A companhia nem manda para a oficina, recolhe direto para o pátio. É o que se chama perda total técnica", disse.

Ao acionar a seguradora, a companhia tem um prazo de 72 horas para apresentar ao cliente a relação de documentos que ele deve entregar para receber a indenização. Em média, 10 dias são necessários para a liberação dos recursos.

"Com certeza, a demanda pelos seguros aumentou muito desde o temporal, mas o fato de estarmos num período de férias contribuiu para que os danos não fossem tantos como em 2005", comparou Nogueira, ao esclarecer que, nos processos dos seus clientes, está anexando cópias de jornais do dia seguinte, que reproduzem com fotos os estragos causados pela chuva.

Segundo dados disponibilizados pela Prefeitura, no último dia 7, 40 minutos de chuva foram suficientes para um volume de água de 57,5 milímetros, equivalente a 20% do previsto para o mês inteiro. Com isso, a Cidade registrou o transbordamento dos córregos Lavapés e do Gregório, além do Rio Negro, Rio Tietê e Ribeirão Ipiranga. Pelo menos 21 pontos de alagamentos foram contabilizados pela Defesa Civil Municipal.

Prejuízo

Quem não possui seguro e teve o veículo danificado nas inundações terá de arcar com o prejuízo sozinho. Ou, se for o caso, acionar a Prefeitura. Nestas situações, porém, a Justiça é o caminho mais apropriado para o pleito, mas nem sempre o mais curto. Um processo deste tipo pode levar meses e até anos, sem qualquer garantia de vitória para o contribuinte, principalmente, se o carro tiver sido avariado numa das áreas em que há placas que indicam o risco de inundações.


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